Cardápio | Nuestros Buenos Aires


Cardápio

Já quase nos vamos embora. Agora já dá pra falar algo geral sobre a culinária porteña. Tivemos a sorte de conversar com um chef da área que confirmou muita coisa que percebíamos.

A cozinha argentina é muito simples, nos sabores e nas montagens. É o único país da América Latina que não tem no arroz e em algum tipo de feijão a base da comida cotidiana. É também um país que se diferencia por uma filosofia de não-tempero: os sabores são muito básicos, sal e nada mais, não se refoga praticamente nada. o acompanhamento é baseado na batata: frita, noisette, purê, e assim vai.

O cardápio básico dos cafés é sempre igual: sanduíches, tortas, empanadas, pizzas, massas, grelhados e milanesas. A massa básica vale para as empanadas, pizzas e tortas. E os recheios: presunto e queijo, frango e carne.

Nas carnes grelhadas é difícil errar, qualquer café/restaurante tem bife de chorizo e bom. E para um brasileiro comer algo mais temperadinho, como um salgadinho, sempre vale a empanada.

As pastas também são honestas, feitas artesanalmente. Mas os molhos deixam a desejar na criatividade: molho vermelho, molho branco e (surpresa) molho rosé. Um detalhe: na seção de massas quase sempre tem “caneloni”, só que de fato é a nossa panqueca enrolada.

As porções são fartas, normalmente. E pra comer sozinho, pode ser difícil montar uma refeição que não seja monótona. Em dois, vale pedir, por exemplo, um prato de massa e uma carne e dividir.

Buenos Aires tem uma infinidade de cafés/restaurantes, sem muita diferenciação. Interessante é que se pode pedir um café e com ele embaçar na mesa o dia inteiro. É comum, ninguém vai reclamar.

Se você quer tomar um simples cafezinho de balcão, costume de brasileiros pra gastar dez minutos, ou um salgado e uma coca, esquece: é sempre um processo demorado, vai se atrasar.

O atendimento é, via de regra, tosco. Os garçons são impacientes e mal-humorados. Folgamos em saber que não é só com turistas, é geral. O serviço não está incluído, reza a lenda que se deixa 10 a 15 por cento da conta. Mas creio que o hábito geral é deixar umas moedas.

Os líquidos são caríssimos, alcançam facilmente a metade do preço de uma refeição. E o que soa mais bizarro, seja um cafezinho, um refrigerante, uma água, uma cerveja long-neck: tudo o mesmo preço. Nos supermercados, os preços são parecidos com os do Brasil, até um pouco mais baratos. Mas nos cafés, sai de baixo.

Em kioskos, que são como micromercados, é possível comer panchos (cachorro quente) ou choripan baratinhos, com uma coca por uns 3, 4 pesos. Nestes tipos de lugares é comum também haver cabines telefônicas e acesso à Internet.

Os supermercados tem uma grande quantidade comidas prontas, a informação é que o porteño em geral não prepara nada em casa.

Existem também vários outros restaurantes de comida internacional, “fusion”, ou “de autor”. Esse movimento que também existe no Brasil, de “gourmets”, com aqueles pratos que tem sempre uma folhinha e/ou gotinhas por cima. Só que no Brasil esse tipo de restaurante ainda é bem mais caro, aqui rivaliza com a média.

Obviamente, tem os restaurantes caríssimos, mas esses a gente não estava com vontade de conhecer.



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