Arquivo de Setembro de 2006



Cardápio

Publicado em cozinha dia 27 de Setembro de 2006 por helil

Já quase nos vamos embora. Agora já dá pra falar algo geral sobre a culinária porteña. Tivemos a sorte de conversar com um chef da área que confirmou muita coisa que percebíamos.

A cozinha argentina é muito simples, nos sabores e nas montagens. É o único país da América Latina que não tem no arroz e em algum tipo de feijão a base da comida cotidiana. É também um país que se diferencia por uma filosofia de não-tempero: os sabores são muito básicos, sal e nada mais, não se refoga praticamente nada. o acompanhamento é baseado na batata: frita, noisette, purê, e assim vai.

O cardápio básico dos cafés é sempre igual: sanduíches, tortas, empanadas, pizzas, massas, grelhados e milanesas. A massa básica vale para as empanadas, pizzas e tortas. E os recheios: presunto e queijo, frango e carne.

Nas carnes grelhadas é difícil errar, qualquer café/restaurante tem bife de chorizo e bom. E para um brasileiro comer algo mais temperadinho, como um salgadinho, sempre vale a empanada.

As pastas também são honestas, feitas artesanalmente. Mas os molhos deixam a desejar na criatividade: molho vermelho, molho branco e (surpresa) molho rosé. Um detalhe: na seção de massas quase sempre tem “caneloni”, só que de fato é a nossa panqueca enrolada.

As porções são fartas, normalmente. E pra comer sozinho, pode ser difícil montar uma refeição que não seja monótona. Em dois, vale pedir, por exemplo, um prato de massa e uma carne e dividir.

Buenos Aires tem uma infinidade de cafés/restaurantes, sem muita diferenciação. Interessante é que se pode pedir um café e com ele embaçar na mesa o dia inteiro. É comum, ninguém vai reclamar.

Se você quer tomar um simples cafezinho de balcão, costume de brasileiros pra gastar dez minutos, ou um salgado e uma coca, esquece: é sempre um processo demorado, vai se atrasar.

O atendimento é, via de regra, tosco. Os garçons são impacientes e mal-humorados. Folgamos em saber que não é só com turistas, é geral. O serviço não está incluído, reza a lenda que se deixa 10 a 15 por cento da conta. Mas creio que o hábito geral é deixar umas moedas.

Os líquidos são caríssimos, alcançam facilmente a metade do preço de uma refeição. E o que soa mais bizarro, seja um cafezinho, um refrigerante, uma água, uma cerveja long-neck: tudo o mesmo preço. Nos supermercados, os preços são parecidos com os do Brasil, até um pouco mais baratos. Mas nos cafés, sai de baixo.

Em kioskos, que são como micromercados, é possível comer panchos (cachorro quente) ou choripan baratinhos, com uma coca por uns 3, 4 pesos. Nestes tipos de lugares é comum também haver cabines telefônicas e acesso à Internet.

Os supermercados tem uma grande quantidade comidas prontas, a informação é que o porteño em geral não prepara nada em casa.

Existem também vários outros restaurantes de comida internacional, “fusion”, ou “de autor”. Esse movimento que também existe no Brasil, de “gourmets”, com aqueles pratos que tem sempre uma folhinha e/ou gotinhas por cima. Só que no Brasil esse tipo de restaurante ainda é bem mais caro, aqui rivaliza com a média.

Obviamente, tem os restaurantes caríssimos, mas esses a gente não estava com vontade de conhecer.



Feira de Mataderos

Publicado em geral, fotos, cozinha dia 26 de Setembro de 2006 por Leticia

Bueno, fomos à “Feria de Mataderos” (é Feria mesmo) com um casal de amigos cicerones. Nas bordas de Buenos Aires, uma hora e pouco de ônibus coletivo. É a região dos matadouros de bois onde há um centro de fomento e preservação da cultura interiorana. Bancas de artesanato, oficinas de música, de tear, música e dança.

A proporção de turistas diminui bem, o pessoal da área comparece, às vezes totalmente paramentado com bombachas, ponchos, chapéus, facões etc.

Lá comemos “locro”, um cozido com milho tipo canjica, favas brancas, carne de porco e frango e dobradinha, além das obrigatórias empanadas, “choripan” (chorizo, ou linguiça no pão) e “vaciopan”. “Vacio” é uma peça próxima das costelas. Tudo farto e muito bom.

A linguiça e o vacio vêm direto da parrilla armada no chão da praça.

Ao final, um teatro da comunidade. A peça era sobre a primeira greve nos matadouros.



Música

Publicado em video dia 26 de Setembro de 2006 por helil

A argentina tem muita música. Nos sábados vê-se muita gente caminhando pelas ruas com um violão nas costas. Entre os artistas de rua, muitos músicos.

Música brasileira

Acho que a música brasileira está aqui como em outros lugares do mundo. Música de elevador por excelência, em versões muzak para clássicos da bossa nova, meio envergonhante.

Tem também axé music. Em bailes, lojas de CD, restaurantes, pudemos relembrar clássicos, como AAAAAAAAAAli-Babá, além de várias versões (não sei qual a versão, qual a original, mas acho que não importa): “Para dançar isto aqui é buemba”, “mayonesa, ele me bate como mayonesa”. Nessa classe tem os originais locais, “El gato volador” e não sei mais o que. No bailinho que fomos tocou também um samba-enredo, Zeca e uns pagodinhos.

Tem um sujeito no metrô que toca MPB de barzinho, tipo Djavan (mira, Tarsito?).

Rock

O rock por aqui é a coisa que mais me surpreende. Chegam uns caras perfeitamente trajados, cabelo comprido, camisetas pretas, tatuagens por toda lado, piercings, típica banda de rock pesado. Quando começam a tocar é uma estética tão datada, melosa e anos oitenta. Incrível, os caras de roqueiro tocando um pastiche de Kid Abelha.

Aliás está ocorrendo aqui o Pepsi Music, com Iggy Pop de atração internacional. Antes já teve show do Slayer. Estranho…

Tango

O tango é a contribuição da música argentina para o mundo. E grande. Sempre muito legal. O taxista que nos trouxe do aeroporto disse que nenhum argentino gosta mais de tango. Ledo engano. O tango é um gênero complexo e, pelo que percebi, todas as vertentes continuam soando, de Carlos Gardel a Piazzolla. Atualmente se ouve muito pela rua um CD de tango “tecno”, batida eletrônica e repetição de uns “licks” bem típicos. É interessante.

Aliás, Piazzolla é gênio, gênio. Vamos levando pra casa os CD’s Libertango e Suíte Troileana.

Re-aliás: a música “El dia em que me queiras” é de autoria do Carlos Gardel e de Alfredo Le Pera, nascido no Brasil.

Folklore

A música regional tem muitas semelhanças com algumas culturas do Brasil. Dá pra lembrar dos sons da Helena Meireles, fronteiras com o Paraguai, além dos elementos gaúchos do Rio Grande do Sul.

Visitamos a Feira de Mataderos, que terá seu post à parte, e vimos uma apresentação do “Fuego Índio”, música regional com toques “modernos” de uma guitarra cheia de efeitos. O som está ruim, mas o grupo tem uma página com MP3 pra baixar - gravação também ao vivo, mas dá pra sentir. Eu gostei.

Fuego índio - website

Sigo sem entender o rock.



Granizo de responsa

Publicado em geral dia 26 de Setembro de 2006 por helil

Uma coisa que chamou a nossa atenção foi ver vários carros salpicados de amassados, teto, capô, como várias marteladinhas na lataria.

Depois lembrei de perguntar a uns amigos por aqui: no dia 26 de julho, sem mais aquela, caiu uma chuva de granizo absurda. Encontrei uma matéria de jornal sobre o fato; video e fotos:

Clarin

Prejuízo.



Caminito

Publicado em fotos dia 23 de Setembro de 2006 por helil

Talvez a atração turística mais emblemática, o Caminito tem um quê de Pelourinho, mini-Pelourinho. Trata-se de uma rua curta, toda colorida, com artesãos expondo seus trabalhos, panfleteiros tentando te aliciar para comer aqui ou comprar acolá, meninos pedindo esmolas - “pesos, dolares, reales”.

Fomos fora do fim de semana, então vimos menos movimento de locais e de turistas. A pergunta mais ouvida é: De donde son?, e logo depois da resposta, um “Bem vindos” etc.

No detalhe abaixo, um pouco de “fileteria”, estas molduras de flores e ramagens, tipicamente portenha e que está muito presente aqui no bairro da Boca e em toda a cidade, em alguns cafés e outras fachadas. Pra mim, lembra as pinturas de carrocerias de caminhão que vemos no Brasil, quintessenciadas e promovidas.

Em uma nota paralela, a InBev dominou as marcas de cerveja do hemisfério Sul ou do mundo todo? Por aqui, como no Brasil, é tudo dela.



Catedral

Publicado em geral, fotos dia 23 de Setembro de 2006 por helil

Também na Praça de Maio está situada a Catedral Metropolitana. Bonita, enorme.

Lá me ocorreu como as igrejas do circuito Ouro Preto são mais numerosas, menores e mais suntuosas.

Aqui um detalhe do piso, em mosaico.

Numa “nave” contígua, com toda pompa, estão os restos de General San Martin.

Os monumentos de Buenos Aires são, basicamente, de exaltação de generais de outrora. Dica: dizer que algo está “naquela praça do cara montado no cavalo”, não quer dizer nada. São várias.

Também se pode rezar - vejam vocês - na catedral.



Sorvete

Publicado em fotos, cozinha dia 23 de Setembro de 2006 por helil

Nenhum de nós é muito chegado a doces ou sorvetes, mas é absurdamente boa essa sorveteria, Freddo.

Já sofrendo as saudades futuras, não deixamos passar qualquer uma de suas lojas sem pagar tributo. Sem querer repetir os sabores, na intenção de melhor informá-los, todos são perfeitos: doce de leite, chocolate, morango, flocos, mascarpone, zabaione, banana, framboesa e “assim sucessivamente”.

Seguramente, top 5.



Zoo

Publicado em geral, fotos dia 21 de Setembro de 2006 por helil

O zoológico de Buenos Aires tem uma grande variedade de animais do mundo todo.

Como todo zoológico, é deprimente. Aqui ainda se pode comprar uns saquinhos de ração para alimentar os animais. E os animais ficam mendigando comida.

A criançada adora.

Notável que o zoo faz parte do “passeio Borges”, proposto pelo website oficial de turismo. Tudo por causa do tigre, não sei se o Borges freqüentava o pedaço.



Confiteria Ideal

Publicado em fotos, cozinha dia 21 de Setembro de 2006 por helil

Buenos Aires, embora tenha seus prédios modernos, impressiona mesmo por seu lugares antigos. Estes lugares podem se dividir entre os perfeitamente preservados, os mais ou menos e os decrépitos. A confiteria Ideal fica na última categoria (a foto, incrivelmente, encontrou um brilho que o local não tem).

A visita vale, sem dúvida. Lá comemos umas “masitas” (docinhos sortidos) perfeitas. Apresenta também shows de tango no andar de cima.



Obelisco

Publicado em fotos dia 21 de Setembro de 2006 por helil

Não poderíamos deixar de visitar o famoso monumento Lubrax, um dos mais destacados cartões-postais da cidade.